Café da Manhã
Tudo na mesma?

Café da Manhã Tudo na mesma?

Os mercados iniciam o dia a recuperar, apesar da escalada das tensões entre os EUA e o Irão. As bolsas sobem, o petróleo corrige dos máximos recentes e o mercado cambial mantém-se surpreendentemente estável.

As renovadas tensões no Médio Oriente voltaram a dominar os mercados financeiros, mas a reacção dos investidores continua a revelar-se relativamente contida. Apesar da intensificação do conflito durante a noite, com novos ataques norte-americanos contra o Irão e uma resposta iraniana através do lançamento de mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Iraque, os mercados começam esta quinta-feira num tom mais positivo, com as bolsas a recuperarem parte das perdas da véspera e os preços do petróleo a corrigirem dos máximos recentes.

Ontem, em Wall Street, a sessão foi marcada pela volatilidade. O receio de uma nova escalada militar e da eventual reintrodução de um bloqueio naval ao Irão pressionou o sentimento dos investidores, levando o Dow Jones a recuar 1,09% e o S&P 500 a perder 0,28%. Em contraciclo, o Nasdaq 100 conseguiu terminar com um ganho de 0,20%, beneficiando da recuperação do sector tecnológico, após notícias de que a China poderá voltar a permitir a aquisição dos chips H200 da Nvidia.

Também as minutas da última reunião da Reserva Federal contribuíram para um sentimento mais cauteloso. O documento mostrou um banco central dividido quanto ao rumo da política monetária, com alguns responsáveis a admitirem mesmo a possibilidade de novas subidas das taxas de juro, enquanto a maioria continua preocupada com as pressões inflacionistas alimentadas pelas tarifas comerciais e pelo forte investimento associado à inteligência artificial. As expectativas de cortes nas taxas continuam, assim, a ser sucessivamente adiadas.

Durante a noite, na Ásia, os principais mercados accionistas acompanharam a recuperação de Wall Street, impulsionados sobretudo pelo sector dos semicondutores, que recuperou após as fortes vendas dos últimos dias. Ainda assim, os ganhos foram limitados pela persistência da incerteza geopolítica e pelo impacto da recente subida do petróleo nas expectativas para a inflação.
No Japão o índice Nikkei ganhou 1,55% e na Coreia do Sul o Kospi avançou 0,62%. Na China, os índices CSI300 e Shanghai Composite subiram 2,54% e 1,65%, enquanto o Hang Seng recua cerca de 1%.

Na Europa, a sessão arranca igualmente em terreno positivo. Os investidores continuam atentos à evolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, depois de Donald Trump ter inicialmente afirmado que o cessar-fogo tinha colapsado, mas ter admitido posteriormente que Teerão continua disponível para retomar negociações. Apesar da instabilidade, prevalece, para já, a expectativa de que ambas as partes procurem evitar um alargamento do conflito.
O índice Euro Stoxx 600 segue a avançar 0,41% e o Euro Stoxx 50 0,45%. O DAX e o CAC na Alemanha e em França avançam cerca de 0,45%, enquanto no Reino Unido, o FTSE 100 recua 0,50%.

No mercado petrolífero, a reacção também começa a revelar alguma estabilização. Depois de ontem terem disparado na sequência dos novos ataques norte-americanos, aumentando os receios quanto à segurança da navegação no Estreito de Ormuz, os preços iniciam esta manhã em correcção. O Brent negoceia em torno dos 77 dólares por barril, depois de ter ultrapassado os 80 dólares durante a sessão anterior, enquanto o WTI recua para cerca de 72,60 dólares, após ter atingido máximos próximos dos 76 dólares. Apesar desta correcção, o risco geopolítico continua elevado, mantendo um prémio de risco significativo incorporado nas cotações.

No mercado cambial, a reacção continua surpreendentemente moderada. O dólar permanece praticamente inalterado, com o índice DXY a oscilar entre os 100,50 e os 101 pontos, enquanto o EUR/USD continua a negociar dentro do intervalo das últimas sessões, entre 1,1400 e 1,1450. A libra esterlina mantém a tendência de valorização, com o GBP/USD novamente acima dos 1,3400, ao mesmo tempo que o EUR/GBP renova mínimos recentes, negociando em torno dos 0,8520. Já o iene continua sob pressão, com o USD/JPY a manter-se confortavelmente acima dos 162 ienes, e o EUR/JPY dos 185 ienes.


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